Mostrando postagens com marcador Nada eu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nada eu. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Para para paraíso

Eu caminho entre os girassóis daquele campo que ainda não existe, aquele por onde eu andava quando o mundo era apenas um lugar. Eu entrelaço meus dedos em um nó confuso, meus pensamentos sangram uns nos outros e eu não consigo estancar a dor.
Um dia diferente, como todos os outros. O sol nasce destinado a morrer. Tem uma chave pendurada no cordão em volta do meu pescoço mas eu não sei o que ela abre.
E como se alguém se importasse, eu olho para cima, com um pulso crescente no meu coração. Vem de algum lugar uma inquietude, vontade de me esvaziar, sair de mim e transcender.
Grito. Grito com a minha voz e depois grito com a garganta e depois grito com o meu corpo inteiro, contorcendo-me ao sentir a vida jorrar de cada uma das minhas veias. O ritmo acelerado do som me faz arregalar os olhos. É o horror fazendo-se rei de mim, uma cena terrível inteiramente satisfatória.
Não podem me ouvir aqui; estou só, dentro de meu sonho. Eu criei esse lugar com as minhas memórias, construi essa fortaleza fajuta e gloriosa, a grama artificial. E quanto mais grito, menor é o espaço dentro de mim. Preciso de algo para me preencher, preciso me destrancar. A chave.
Puxo-a de meu colar e a cravo em meu peito. Não dói, não fere, não machuca de forma alguma. Desenforquei minha respiraçao e agora ilumino cada girassol do campo. Minha luz cresce. Cresce. Cresce.
Então o silêncio. Então a brisa. Então a cura. Eu posso me lembrar de quando era inocente e sinto-me novamente confortável debaixo de minha pele. É tudo tão calmo, limpo e leve.
É meu descanço.
É a morte.


    485217_361480380554299_100000770213204_923987_1812925881_n_large




Se alguém ficar preocupado: estou bem, sério, só quis inventar um sonho. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Aleatoriedade nível mil

Passos. Passos para você e passos para mim. Espaços ocos entre nós que revelam quilômetros de caminhada à fio.
Troncos. Troncos de árvores sem nossas iniciais. Prantos de prazer enquanto a tristeza chora sozinha em sua caverna seca.
Água, água pura aqui e preta lá. Salas de estar banhadas a ouro enquanto o quintal do mundo se ergue em lixo.
Nexo. Nexo invisível quando se fala de minha poesia. Sexo com letras por minutos sem pressa para acabar em sentido.
Fim. Fim desesperado pois não sei agradar quem lê. Sim, aqui termina o que nunca deverá ser lei.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Deus, Arte e Eu

    Deus é perfeito em tudo, não se engana nem frustra seus próprios planos. A Arte? Perco as contas de quantas vezes defende um resultado e termina por traí-lo. A Arte se diverte quando erra, quando experimenta o imprevisível. Mas Deus sabe de todas as coisas, por isso já está preparado para tudo. A Arte se emociona na descoberta, e transmite a sensação para quem anda lado a lado com ela. Deus prefere ser misterioso, para não nos assustar com a grandeza de Seu poder.

     Sempre que olho para Deus a arte chora querendo atenção, como que puxando a barra de minha calça. Mas quando olho para a Arte Deus estranhamente sorri... Deus não compete atenção, Ele simplesmente a merece. Já a Arte maltrata quem a ama, como uma mulher que queima de paixão; ela instiga a dependência do parceiro dando-lhe carinho e atenção, e depois o tratando com desprezo, alternando tais ações para confundir. Deus ama seus filhos verdadeiramente, então não ilude nenhum deles.

     Deus é meu Pai, e a Arte é minha mãe. Deus me ensina como obedecer a Ele, como amar e como viver plenamente. A Arte me induz a desobedecer padrões, a ser indeciso quanto aos meus sentimentos. A Arte quer me convencer que a vida só faz sentido com ela.
      E apesar de tudo isso parecer uma batalha onde a Arte se contrapõe à vontade de Deus, na verdade não é. Deus criou a Arte com o mesmo intuito e função de todo o resto de Sua criação, que é render-Lhe glória. Tudo, até o que se proclamar a maior das contradições, resultará sempre e inevitavelmente no sucesso do plano de Deus.
      Deus e eu nos agradamos da Arte. A Arte e eu servimos a Deus. Deus e a Arte me trazem toda a felicidade que eu poderia desejar. Tudo se encaixou perfeitamente, e Deus viu que era bom.

Texto do meu amigo Diógenes Cândido (Deixe sua cara nos comentários para ser procurado por seus fãs! hahhaha)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Viu como eu sei usar maquiagem?

Você preencheu suas mãos com um vazio tão pesado quanto o mundo nas suas costas. Eu quero ver quem vai te dar carona até a normalidade nessa vez, vou esperar no acostamento até te ver correndo do seu futuro nessa estrada que nunca começou de verdade. Eu serei o pedágio e você nunca terá o suficiente para seguir em frente.
Quando eu disse que te amei, estava brincando, brincando de ser alguém mais bonito do que eu, alguém com sentimento de boneca e palavras de papel machê. Você mesmo pôde ver: a chuva me desmanchou e minha cabeça de porcelana se chocou contra a porta; a mesma porta pela qual nunca saímos.
Mas aqui, nessa cabine de pedágio, você consegue olhar para mim e ver meus olhos de vento, meu preço de rubi.
Viu como eu sei usar maquiagem?